Contato (18) 98815-6948

LocalizaçãoPresidente Prudente/SP

Trabalhadora obrigada a fazer 540 ligações por dia foi indenizada pelo TST — entenda o que caracteriza assédio moral e como você pode se proteger.

Trabalhadora obrigada a fazer 540 ligações por dia foi indenizada pelo TST — entenda o que caracteriza assédio moral e como você pode se proteger.

Uma coordenadora financeira foi forçada a realizar 540 ligações por dia, participar de reuniões chamadas de “reunião dos desesperados” e receber mensagens no WhatsApp com frases como “tem muita gente querendo o seu emprego”. O resultado? O Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconheceu o assédio moral e manteve a indenização de R$ 10 mil em favor da trabalhadora. A decisão, da 8ª Turma do TST, é um sinal claro: pressão abusiva no trabalho tem limite — e consequências jurídicas sérias.

O que aconteceu nesse caso?

A trabalhadora foi contratada em 2013 por uma empresa do setor financeiro para oferecer empréstimos e financiamentos. Três anos depois, em 2016, foi demitida sem justa causa. Mas antes de sair, viveu uma rotina que a Justiça do Trabalho classificou como ambiente de terror psicológico.

As cobranças não eram simples. A funcionária era obrigada a cumprir uma meta de 540 ligações por dia — o equivalente a uma ligação a cada menos de um minuto, considerando uma jornada de 8 horas. E quando as metas não eram atingidas, as consequências iam além de uma conversa com o gestor.

As reuniões coletivas tinham nome próprio: “reunião dos desesperados”. E-mails eram disparados para toda a equipe com frases de intimidação. No grupo do WhatsApp corporativo, as mensagens não deixavam dúvidas sobre o clima: “você está sendo paga para isso” e “tem muita gente querendo o seu emprego”.

A chefia também expunha os empregados por meio de rankings de produção — comparando, publicamente, quem produzia mais e quem produzia menos.

Por que isso é assédio moral, e não apenas “cobrança de resultados”?

Essa é a pergunta que muitas pessoas se fazem. Afinal, toda empresa cobra resultados. Então, onde está a linha entre uma gestão exigente e o assédio moral?

A resposta está no método e no impacto emocional.

A lei e a jurisprudência trabalhista reconhecem que o empregador tem o direito de fixar metas e cobrar desempenho. Mas esse direito tem limites claros. Quando a cobrança passa a:

  • Humilhar publicamente os trabalhadores;
  • Ameaçar (ainda que de forma velada) a perda do emprego;
  • Expor individualmente cada funcionário diante dos colegas;
  • Criar um ambiente de medo e angústia constante;

…estamos diante do assédio moral — e não de uma simples gestão por resultados.

No caso julgado pelo TST, as testemunhas confirmaram tudo isso. Os e-mails e as mensagens de WhatsApp funcionaram como prova documental. O tribunal foi claro: os adjetivos usados pela empresa “aviltavam a dignidade” da trabalhadora.

O que dizem os tribunais sobre metas abusivas?

Esse caso não é isolado. Nos últimos anos, a Justiça do Trabalho tem acumulado decisões reconhecendo que gestão por pressão extrema é assédio moral.

Alguns elementos que os juízes costumam analisar:

  1. Volume de trabalho impossível de cumprir — como 540 ligações em um único dia;
  2. Linguagem intimidatória — ameaças veladas ou explícitas de demissão;
  3. Exposição pública do desempenho individual — rankings que constrangem;
  4. Frequência e continuidade — o assédio não é um episódio isolado, mas uma rotina;
  5. Impacto na saúde mental do trabalhador — angústia, desespero, ansiedade.

No caso analisado, todos esses elementos estavam presentes. Por isso, a condenação foi mantida desde a 1ª instância até o TST.

Quanto vale uma indenização por assédio moral?

Não existe um valor fixo. A indenização por danos morais no Direito do Trabalho depende de fatores como:

  • Gravidade da conduta do empregador;
  • Tempo de exposição ao ambiente abusivo;
  • Consequências para a saúde do trabalhador;
  • Porte financeiro da empresa condenada;
  • Entendimento do juiz que analisa o caso.

Nesse processo, o juiz de 1ª instância fixou R$ 15 mil. O TRT (Tribunal Regional do Trabalho) reduziu para R$ 10 mil. O TST manteve esse valor, entendendo que não era exorbitante diante das circunstâncias.

⚠️ ATENÇÃO: A Reforma Trabalhista de 2017 criou uma tabela de valores para indenizações por danos morais, vinculada ao salário do empregado. Por isso, o valor da indenização pode variar bastante de acordo com a remuneração de cada trabalhador.

Como provar que você sofreu assédio moral?

Muitas vítimas de assédio moral hesitam em buscar seus direitos porque acreditam que “não têm como provar”. Mas as provas existem — e muitas vezes estão no celular de cada um.

Veja o que pode ser usado como prova:

  • Mensagens de WhatsApp com cobranças agressivas ou ameaças;
  • E-mails corporativos com linguagem intimidatória;
  • Depoimentos de colegas de trabalho(testemunhas);
  • Documentos internos como metas, rankings e comunicados;
  • Registros médicos que atestem adoecimento psíquico relacionado ao trabalho;
  • Anotações pessoais com datas e descrições de episódios.

Neste caso do TST, as mensagens de e-mail e WhatsApp foram determinantes para que a trabalhadora ganhasse a ação. Guarde tudo o que puder.

E se eu for demitido por reclamar do assédio?

Infelizmente, esse temor é comum — e real. Mas a lei protege o trabalhador. A demissão motivada por retaliação a uma reclamação trabalhista pode ser considerada dispensa discriminatória, o que gera direito a indenização adicional.

Além disso, é possível pedir a rescisão indireta do contrato de trabalho — ou seja, o empregado pede à Justiça que reconheça que as condições de trabalho eram insuportáveis, e recebe todos os direitos trabalhistas como se tivesse sido demitido sem justa causa.

O que você deve fazer se estiver passando por isso

Se você se identificou com a situação descrita nesta matéria, aqui estão os passos mais importantes:

  1. Não apague as provas — guarde prints, e-mails e qualquer registro das situações;
  2. Anote os episódios com data, hora e o que aconteceu;
  3. Identifique possíveis testemunhas entre colegas de confiança;
  4. Consulte um advogado trabalhista antes de tomar qualquer decisão;
  5. Não sofra em silêncio — o assédio moral tende a piorar com o tempo se não for enfrentado.

Tem dúvidas sobre o seu caso? Cada situação é única, e somente uma análise profissional pode indicar o melhor caminho. Se você acredita que está sofrendo assédio moral no trabalho ou simplesmente quer entender melhor seus direitos, consulte um advogado de sua confiança. Conhecer a lei é o primeiro passo para se proteger.

Compartilhe...
Whatsapp